domingo, 29 de junho de 2025

A Tristeza Que Não Chora

Há uma tristeza que não chora. Que não se mostra. Que apenas se instala, discreta, entre uma palavra e outra, entre um gesto e o vazio que ele não preenche. Vivemos tempos em que tudo é exposto, mas quase nada é revelado. Em que sorrimos mais para os outros do que para nós mesmos. Em que as emoções são filtradas como imagens, apenas o que é bonito, apenas o que é leve. Mas a vida… a vida real tem rugas, tem pausas, tem feridas que não cicatrizam no tempo das redes. E eu tenho sentido o silêncio como nunca. Não o silêncio da ausência, mas o da saturação. De quem se cansou de explicar o que sente. De quem já não espera ser compreendido. Ou sequer acolhido. Talvez essa seja a nova maturidade: Deixar de tentar caber onde nos desencontrámos. Permitir que doa, sem pressa de passar. Não correr para o próximo recomeço, mas permitir-se parar. Há uma dignidade silenciosa em não insistir. Em aceitar que nem tudo precisa de ser consertado. E que algumas coisas, ou pessoas, simplesmente nos acontecem para que aprendamos a ir embora. A tristeza não é fraqueza. É memória do que nos importou demais. É prova de que sentimos fundo, mesmo quando o mundo nos quer à tona. E isso… também é liberdade.

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